Certamente
é perceptível que o tempo está passando, chega a ser engraçado como é
perceptível e ninguém percebe esse passar. E passando, o tempo nos consome, nos
subjuga, nos devora... Ah Chronos, como pode fazer isto a um filho teu?
Andava
eu pelas esquinas de um colégio que teve uma história importantíssima em minha
formação cultural e educacional, em cada pedaço de chão parecia que eu voltava
um ano da minha vida e ia me aproximando daqueles dias ao passo que me
aproximava de uma sala de aula, que era meu alvo naquele dia... Objetivo:
Passado, e o passado meus caros, já passou e lá estava ele de volta.
Dentro
do presente havia uma sala cheia de alunos da oitava série (nono ano aos que
vivem o hoje), um monte de cabeças pensando dentro de um universo que não os
agradava, que os forçava a ficar naquele lugar, que pedia pra que eles saíssem de
lá, mas que os prendia lá dentro. Cada um pensando milhares de coisas que para
aquele momento significavam exatamente nada, todos se tornando nada e o nada se
tornando tudo. Foi então que o passado me puxou de volta, me tirou da cadeira,
me colocou de joelhos e disse: “Contemple o nada que você criou, esqueça o nada
sendo criado pelos outros, o foco agora é você”... E o silencio reinou naquele instante, segundos, minutos ou horas, não importa o tempo, afinal o tempo agora
falava comigo...
E
a conversa não parou por aí, cada palavra que ele me dizia ecoava em minha
cabeça como sinos que insistem em badalar, mesmo depois que todos os fiéis já
estejam em seus lugares e prontos a rezar o que sempre rezaram todos os dias. E
os ecos não paravam por aí, pareciam seguir uma melodia, a melodia do tempo, o
tic tac ininterrupto do relógio maior, o passar do tempo em frente aos meus
olhos...
No
presente, a aula continuava, as pessoas nem percebiam o que acontecia a sua volta, mas o acontecido não queria deixar de acontecer e foi então que outra
pergunta me chamou a atenção: “Consegue ver você ali?” Virei minha cabeça de
repente e lá estava eu, sentado, uniformizado, cabeça baixa, caneta entre
dedos, escrita firme, pensamento firme... O que eu pensava eu não sei, mas
tinha certeza que pensava em tudo e pensava em nada, fazia tudo e fazia nada,
sabia tudo e sabia nada... De repente eu me olhei, de leve dei um sorriso a mim
mesmo e me perguntei: “O que você fez de você?” Milhares de respostas passaram
por minha cabeça, pensei mais um pouco e respondi nada, então já não mais me
vi, voltei ao presente, o silêncio se foi e eu o acompanhei, fui-me também...
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