"...NA VERDADE, NADA É UMA PALAVRA ESPERANDO TRADUÇÃO..."

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Como vai a vida???


Sempre que me perguntaram como eu andava ou como estava a vida, sempre respondi que estava tudo na mesma, caminhando lentamente para o fim... Sempre que respondia isso era comum que as pessoas perguntassem o porquê do pessimismo, ou o porquê de tanta negatividade.
Hoje estava eu parado, caminhando ao fim, e comecei a pensar nisso. Resolvi anotar algumas coisas e escrevê-las aqui mais tarde, sobre como esses pensamentos se estruturaram e o porquê deles existirem.
Pare tudo que estiver fazendo agora e pense, mesmo que por pouco tempo, em como sua vida é feita e se você realmente está vivendo ou morrendo.
Isso mesmo meu nobre leitor-amigo, caminhamos SIM para o fim, caminhamos lentamente, quase nos arrastamos ao pó, ao NADA, de onde viemos e para onde iremos. Interessante essa ideia internalizada que cada um tem de vida, esse medo da morte, essa ideia de que viveremos para sempre... Rsrsrsrsrsrs... Triste fim, não existe vida sem morte, não existe morte sem vida. A vida nada mais é do que a conclusão da morte, sua obra perfeita, seu deleite maior... Esse se arrastar eternamente e chegarmos a ela sem força para fugirmos e, enfim, nos entregarmos...
Enquanto pensava nisso me veio um poema de Gregório de Matos e lembrei daqueles eternos belos, aqueles que se martirizam por horas em busca da beleza perfeita (a tentativa de se maquiar à realidade)... Triste fim...
Fim, sim, fim... A morte de tudo, de todos, de cada um e cada tudo que vive... Pois se vive irá morrer e a morte, meus caros, é real assim como é sua vida...
Portanto me diga, como vai a vida??? 

Goza, goza da flor da mocidade,
Que o tempo trata a toda ligeireza,
E imprime em toda a flor sua pisada.
Oh não aguardes, que a madura idade,
Te converta essa flor, essa beleza,
Em terra, em cinza, em pó, em sombra, EM NADA

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Consegue ver você ali?


Certamente é perceptível que o tempo está passando, chega a ser engraçado como é perceptível e ninguém percebe esse passar. E passando, o tempo nos consome, nos subjuga, nos devora... Ah Chronos, como pode fazer isto a um filho teu?
Andava eu pelas esquinas de um colégio que teve uma história importantíssima em minha formação cultural e educacional, em cada pedaço de chão parecia que eu voltava um ano da minha vida e ia me aproximando daqueles dias ao passo que me aproximava de uma sala de aula, que era meu alvo naquele dia... Objetivo: Passado, e o passado meus caros, já passou e lá estava ele de volta.
Dentro do presente havia uma sala cheia de alunos da oitava série (nono ano aos que vivem o hoje), um monte de cabeças pensando dentro de um universo que não os agradava, que os forçava a ficar naquele lugar, que pedia pra que eles saíssem de lá, mas que os prendia lá dentro. Cada um pensando milhares de coisas que para aquele momento significavam exatamente nada, todos se tornando nada e o nada se tornando tudo. Foi então que o passado me puxou de volta, me tirou da cadeira, me colocou de joelhos e disse: “Contemple o nada que você criou, esqueça o nada sendo criado pelos outros, o foco agora é você”... E o silencio reinou naquele instante, segundos, minutos ou horas, não importa o tempo, afinal o tempo agora falava comigo...
E a conversa não parou por aí, cada palavra que ele me dizia ecoava em minha cabeça como sinos que insistem em badalar, mesmo depois que todos os fiéis já estejam em seus lugares e prontos a rezar o que sempre rezaram todos os dias. E os ecos não paravam por aí, pareciam seguir uma melodia, a melodia do tempo, o tic tac ininterrupto do relógio maior, o passar do tempo em frente aos meus olhos...
No presente, a aula continuava, as pessoas nem percebiam o que acontecia a sua volta, mas o acontecido não queria deixar de acontecer e foi então que outra pergunta me chamou a atenção: “Consegue ver você ali?” Virei minha cabeça de repente e lá estava eu, sentado, uniformizado, cabeça baixa, caneta entre dedos, escrita firme, pensamento firme... O que eu pensava eu não sei, mas tinha certeza que pensava em tudo e pensava em nada, fazia tudo e fazia nada, sabia tudo e sabia nada... De repente eu me olhei, de leve dei um sorriso a mim mesmo e me perguntei: “O que você fez de você?” Milhares de respostas passaram por minha cabeça, pensei mais um pouco e respondi nada, então já não mais me vi, voltei ao presente, o silêncio se foi e eu o acompanhei, fui-me também...