"...NA VERDADE, NADA É UMA PALAVRA ESPERANDO TRADUÇÃO..."

terça-feira, 31 de julho de 2012

10 Anos...

Hoje, exatamente hoje, os fios dourados das gêmeas ficam um pouco mais longos. Não que em outros dias esse fato não aconteça, mas hoje é um momento especial para minha humilde pessoa. Hoje se completam 10 anos que eu exerço a extraordinária, gratificante, cansativa e desvalorizada função de professor...
Parei para pensar no que aconteceu durante esse curto período de vida escolar e percebi que em 10 anos cabe muita coisa. Sabe aquelas bagagens que dá pra gente colocar toda nossa roupa e ainda sobra espaço? Aquelas que parecem não ter fundo?  Que estão tão surradas que ninguém dá nada por elas? Pois é, lembrei disso ainda a pouco e resolvi deixar aqui escrito o que sinto nesse momento.
Vivi 10 anos, conheci muitas pessoas, gostei de poucas e aprendi com todas. Não posso colocar em palavras o quão gratificante é exercer essa função, o quão maravilhoso é você se sentir útil em um mundo que perdeu o sonho, a esperança e o amor, o quão importante é tentar devolver isso a uma sociedade que caminha a passos largos dentro do niilismo e do parricídio... Enfim chegamos ao mundo sem lei... Viva o pós-moderno! Viva o nosso fim! Adoro esta ambiguidade que está intrínseca nesta profissão...
Adoro, também, saber que faço aquilo que gosto e que consegui (hoje completando 10 anos) remar contra uma corrente de "estudiosos" concurseiros e cheios de razões sem embasamento teórico e emocional. Uma corrente cada vez mais forte nesse mundo sem utopias e sem produção de conhecimento. Esse remar não foi e não é fácil, pense em quantas pedradas já tomei e em quantas ainda irei tomar por insistir em "jogar fora" anos de estudos dentro de uma sala de aula repleta de pessoas que, a cada dia que passa, procuram mais facilidades, mais atalhos para se chegar a um fim que já está alcançável ao simples esticar de um dos braços.
Essas pedras não me assustam, elas nada podem me fazer... Não aceito calado a realidade que bate em minha porta e ainda acredito que só o conhecimento liberta... Não só o conhecimento, mas a arte em si, conjunto e obra, criatura e criador...
Em 10 anos de caminhada também tive perdas dolorosas, dolorosas demais pra um corpo humano apenas, daquelas que parece saber exatamente onde a alma está e como acertá-la em cheio... Perdas que me fizeram perder muito do que eu era... Mas, ainda, não perdi o sonho e nem a esperança de poder fazer a minha parte (mesmo que minúscula) na construção de uma outra maneira de se ver o mundo, de se fazer o mundo e de se viver o mundo...
Portanto meus caros, deixo aqui escrito que por 10 anos fui professor. Não sei quanto ao futuro, se o fio ainda tiver um pouco mais de comprimento, continuarei professor e não me calarei... Enquanto houver alguém disposto a escutar aquilo que digo, continuarei falando...
Gostaria, também, de agradecer a todos que estiveram comigo durante este tempo, todos os alunos, todos os colegas de profissão, as merendeiras que sempre davam um jeito de guardar um pouco do lanche pra mim (principalmente a Cida, rsrsrsrsrs, como queria que ela visse isso!), os diretores, coordenadores ou donos de escolas que acreditaram no meu trabalho e na minha filosofia, nos secretários e atendentes (foram tantos) e, principalmente, aos meus avós, pois tudo que fiz e faço até hoje foi e é em honra a eles e ninguém mais...
Então, que os estudos continuem e que a arte traga de volta a cor que este mundo conseguiu perder...

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Do que podemos enxergar parte I

Intencionados ou não
chegaram às portas do inferno,
viram igrejas, viram falsidade, eis aqueles que virão...
Se virão ou viram não importa... Do inferno retornaram
e contaram aquilo que se passou...
Contaram do inicio e do fim dos tempos,
do meio nada disseram, pois o meio não importa...
O que é importa é que agora já sabemos,
que ele existe e é real...
Mas algo estava errado, algo não se encaixava,
algo parecido com o que foi visto aqui continuava...
Continuava e continua, passado e presente,
algo nunca antes visto acontecia novamente...
E felizmente ou infelizmente aqui não se diferencia
do inferno que foi visto anteriormente...

Então que as almas sejam queimadas,
que os livros recebam o mesmo tratamento...
Que a vida seja destruída,
que os momentos sejam apenas um momento...

Eis aos olhos o que podemos enxergar,
aquilo que somente é visível...
Que é dedutível, aquilo que podemos enxergar
e que tanto faz sentido pra você...
Eis a mesma futilidade que sempre te impressionou,
a verdade que de escudo você sempre utilizou,
o inferno que de tanto fugiu agora chega a você...